(pintura: Vicente Romero)
Um espelho é uma
porta de água.
A parede onde se encosta
está frequentemente perto da ficção.
Podes então mergulhar,
encetar as viagens que quiseres.
Pode acontecer no regresso
depares com a solidez da parede
atrás da qual o espelho te espera.
Não para te revelar o mistério
das coisas indecifráveis que buscavas
mas o engano das coisas decifráveis
de que fugias.
É por aí que às vezes se perde o coração.
Lídia Borges
