[...]
A
cadeira na varanda onde já ninguém se senta
suporta
vagamente a desatenção que me colhe.
Os
músculos retraídos acusam os cansaços da viagem.
Voltar
a casa é sempre limpar o pó às lembranças
renovar
nos olhos o verde dos vasos secos
reparar
as grades que a ferrugem tangeu
recuperar
das vozes de outrora o timbre.
É
sempre um entoar de risos e prantos
um
canto alegre traído pela saudade.
Lídia Borges (2021:p:31), Que farei com este azul que me beija
(Pinterest, s/ind. autoria)
