segunda-feira, 29 de março de 2021

Poema 21

 

[...]

A cadeira na varanda onde já ninguém se senta

suporta vagamente a desatenção que me colhe.

Os músculos retraídos acusam os cansaços da viagem.

Voltar a casa é sempre limpar o pó às lembranças

renovar nos olhos o verde dos vasos secos

reparar as grades que a ferrugem tangeu

recuperar das vozes de outrora o timbre.

É sempre um entoar de risos e prantos

um canto alegre traído pela saudade.



Lídia Borges (2021:p:31), Que farei com este azul que me beija 


(Pinterest, s/ind. autoria)