terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Barco


(Anne Pakard)


Há nos teus olhos alguma coisa que perdi,

uma tristeza caída entre alegrias.

Alguma coisa que sem querer achei

na fluidez lavrada dos dias.

 

Aquele barco à vela, vês?

 indo…indo… indo...

enfrenta as vagas de regresso a ti.

A lonjura  vai desatada do cais

no olhar com que um dia te vi.

 

E é já tão dorida a distância

desse ver-te de tão perto sem te ver

que chego a pensar que é só minha

toda a mágoa d`um barco ao entardecer.



Lídia Borges