Fico cá fora, sim.
Não. Não gostaria de entrar, obrigada.
Vê-se melhor para dentro
do lado de fora, como sabe,
que não sujeitos os olhos
às vãs ilusões do momento.
Bem, a ventã é espaçosa,
as lâmpadas, luas led vintage
de artificialidades garantidas.
Veja, repare como engolem
copos fumos vícios sapos vivos.
Diga-me,
alguma vez os viu tão nitidamente
lá de dentro?
Repare como riem alegremente
uns com os outros, cara a cara
uns dos outros, pelas costas.
Observe-os por dentro,
daqui, do lado de fora.
Veja como são lestos
na arte da palmadinha
antes ou depois
da facada nas costas.
Há um não-sei-quê a uni-los,
não lhe parece?
A torná-los terrivelmente equivalentes.
Há um não-sei-quê, isso há.
Fosse Poesia e eu saberia.
[...]
Fica então, senhor, convictamente,
do lado de fora?
Sim, como poderá compreender,
não fundem à mesma temperatura
todo e qualquer poema
todo e qualquer Ser.
Lídia Borges