quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Ainda sabemos cantar/Eugénio de Andrade

 






Ainda sabemos cantar,
só a nossa voz é que mudou:
somos agora mais lentos,
mais amargos,
e um novo gesto é igual ao que passou.

Um verso já não é a maravilha,
um corpo já não é a plenitude.






Eugénio de Andrade