Comovem-me os poetas
Femininas vozes dispersas
Comovem-me os amanheceres
em suas peles poentes.
Nos olhos incorruptos
transportam o sol
que lhes quebra o frio das mãos
sempre embriagadas.
Poetas capazes de acordar os homens,
de ilibar os animais da terra, do mar, do ar.
E as estrelas, até as mais remotas,
se inclinam para eles
nas horas de devoção maior.
Quando se apaixonam,
uma inviolável fé, como se deuses
viessem semear-lhes o coração.
Amam docemente. Às vezes, violentamente
e vivem numa casa de vidro fosco
voltada a nascente a que chamam Saudade
e são de mel todas as letras
com que escrevem - Ausência.
Lídia Borges (2017, novembro)
(pintura: Margarita Sirkorskaia)
