Era uma claridade nova, ali,
Uma espécie de presença
Solta entre a brancura da almofada,
O estampado a manta de lã
E
Uma claridade nunca antes vista.
Chamei-te pelo nome
O teu nome, em todas as línguas.
Que é de ti?
Sombra nenhuma da tua voz ausente.
E, contudo, aquela envolvência, quase palpável.
Palpável,
mansa, afagando.
Era como se o ar fosse tomado
Por súbitas margaridas.
Era como se, dentro de cada fazedor da guerra,
Houvesse, intacto, um espaço adequado
Para acolher um coração.
Lídia Borges
