Entrar no cerco das paisagens interditas
desembaraçar seus cabelos de sargaços
domar a febre da atmosfera difusa em redor e
a leviandade dos pássaros evadidos
das manhãs.
Ser encandeado pelo fulgor dos limos
nas falas escorregadias
renunciar à pedra derradeira dos tempos.
Salvar da ruína a palavra.
Desfiar versos e versos até ao pó e encontrar nada.
Seguir desassombrado
até ao cerne do barro com mãos primevas.
***
Refeitos todos os poemas
no miraculoso riso da criança,
acabada de chegar.
Lídia Borges
