terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Poema

 


Entrar no cerco das paisagens interditas

desembaraçar seus cabelos de sargaços

domar a febre da atmosfera difusa em redor e

a leviandade dos pássaros evadidos 

das manhãs.


Ser encandeado pelo fulgor dos limos 

nas falas escorregadias 

renunciar à pedra derradeira dos tempos. 

Salvar da ruína a palavra

Desfiar versos e versos até ao pó e encontrar nada.


Seguir desassombrado

até ao cerne do barro com mãos primevas.

***

Refeitos todos os poemas

no miraculoso riso da criança, 

acabada de chegar.


Lídia Borges