Claude Monet (1876)
Façamos de conta que nada
mudou,
agora que o verão está a findar
e as folhas mortas já se amontoam
nos cantos do pátio.
Façamos de conta que tudo
ficou como era antes
varridas que foram, por fim, as
palavras soltas
que nunca soubeste pronunciar.
Façamos de conta…
Afinal o verão acabará
como tudo acaba
E, impassível, o outono tornará,
perene
como numa paisagem de Claude
Monet.
Lídia Borges
