Revolvendo a terra ainda morna, fértil,
mãos desveladas,
cingem o milagre das coisas inomináveis.
Sobem ao adro do encantamento
e proferem a palavra "oferta".
Comovidos, colhemos a generosidade
dos solos
e a gratidão faz-se, de súbito, eco da alma.
(Da alma, sim. Pode ela até nem possuir um corpo,
mas voz… essa, eu sei que vive,
pois que a oiço, nitidamente.)
Cheira bem
e o outono nem sequer me falou ainda
de cogumelos.
O aroma deve vir do alecrim, das maçãs,
dos figos,
sei lá,
da cantoria dos pássaros,
trebelhando, de ramo em ramo,
no meu pensatempo.
Lídia Borges
