domingo, 1 de setembro de 2024

Sinal de Presença

 

 


Quando as manhãs vêm

embrumadas e tímidas

e a brisa da tarde quebra fulgor ao Sol,

sabe-se que setembro chegou.

 

 








Quando é setembro

volto-me para trás e vejo-te.

Invariavelmente.

Estás de partida, outra vez.

A tua mão levantada a dizer-me adeus.

Separamo-nos, a cada setembro

ou fingimos que nos separamos,

tal como fingimos da primeira vez

nas margens do rio que corria a nossos pés

e corre agora vasto entre nós.

 

Não lhe conheço o nome.

Qualquer um, porém, o nomeará com justeza

exceto obviamente o do esquecimento.

 

Ainda que nos julguemos vacilantes e efémeros

sabemo-nos imortais

enquanto de uma janela da memória, alguém

na outra margem,

nos acenar em sinal de presença.

 

Lídia Borges


(Imagem: Pinterest)