Quando as manhãs vêm
embrumadas
e tímidas
e a brisa da tarde quebra fulgor ao Sol,
sabe-se
que setembro chegou.
Quando é setembro
volto-me para trás e vejo-te.
Invariavelmente.
Estás de partida, outra vez.
A tua mão levantada a dizer-me adeus.
Separamo-nos, a cada setembro
ou fingimos que nos separamos,
tal como fingimos da primeira vez
nas margens do rio que corria a nossos
pés
e corre agora vasto entre nós.
Não lhe conheço o nome.
Qualquer um, porém, o nomeará com justeza
exceto obviamente o do esquecimento.
Ainda que nos julguemos vacilantes e efémeros
sabemo-nos imortais
enquanto de uma janela da memória, alguém
na outra margem,
nos acenar em sinal de presença.
Lídia Borges
(Imagem: Pinterest)
