sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Lembrança



Vejo-te recostada
na cadeira de vime que era tua,
o florido das almofadas agora a esbater-se
lentamente
mas não, na minha lembrança, o teu rosto.
Não o rosto que me surge nas fotografias,
estátuas sem vida, presas no recorte de um momento.
Mas aquele de expressões vivas,
alegres ou tristes, festivas ou sombrias
que se atravessam nos recantos da casa,
pousam na sala de estar da memória.
Um rosto amado perdido
pode assim ser,
para sempre, reencontrado.


Lídia Borges
(à minha mãe, hoje, dois anos sobre a sua partida.)