
Visto assim, ao longe,
o poema parece forma, somente.
Demasiado polido,
demasiado pensado.
Dir-se-ia, não de um poeta.
mas de um fazedor de linhas concretas.
Ponto por ponto costurado,
da fachada ao coração,
em nada espontâneo
pespontado sem desvio,
ou sinal de hesitação,
mas… sei que não.
Leio-o sem pressa:
percorro o trilho da luz solar
até penetrar as abóbadas da solidão;
observo como se inflamam os vitrais
às horas primeiras do sol;
pressinto, nos espaços do silêncio,
como as palavras de amor
se dão em juvenis devaneios;
escuto o fio da dor
a correr continuamente
pelo branco entre linhas;
vejo como a vida cresce ao cumprido do
verso
e como, depois, se apequena e desce,
a custo, o declínio das estrofes
que precedem o infalível
ponto final
.
Lídia Borges
(Pinterest, s/ ind. autoria)