segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Tempo




Com ele aprendi a não me violentar
com ordens e desordens pré-estabelecidas. 
Aprendi a aceitar, das palavras e dos silêncios, tempos e espaços.

Com o Tempo
descobri que é possível habitar
lugares vazios, sombrios, sem que o nada e a sombra
criem raízes na rota da respiração, 
se quedem no corpo e na alma
sem que corpo e alma desaprendam, do sol, o sentido, o paradeiro e o esplendor.

Com o Tempo aprendi a dar tempo
à tristeza, à mágoa, ao espanto, à alegria.

Aprendi a menosprezar os altifalantes
as vozes atrás das vozes, 
o dizer abstrato, vanguardismos
de todos os tempos
úteis.
Néon, vaidade, reverência. Álcool.

Aprendi a cultivar astros e regatos, 
árvores, pássaros e pedras
a viver destas palavras pobres e nuas,

como eu

infinitamente frágeis e mortais. 


Lídia Borges (Reeditado)