Com ele aprendi a não me violentar
com ordens e desordens pré-estabelecidas.
Aprendi a aceitar, das palavras e dos silêncios, tempos e espaços.
Com o Tempo
descobri que é possível habitar
lugares vazios, sombrios, sem que o nada e a sombra
criem raízes na rota da respiração,
se quedem no corpo e na alma
sem que corpo e alma desaprendam, do sol, o sentido, o paradeiro e o esplendor.
Com o Tempo aprendi a dar tempo
à tristeza, à mágoa, ao espanto, à alegria.
Aprendi a menosprezar os altifalantes
as vozes atrás das vozes,
o dizer abstrato, vanguardismos
de todos os tempos
úteis.
Néon, vaidade, reverência. Álcool.
Aprendi a cultivar astros e regatos,
árvores, pássaros e pedras
a viver destas palavras pobres e nuas,
como eu
infinitamente frágeis e mortais.
Lídia Borges (Reeditado)
