sábado, 23 de novembro de 2024

Esquecimento

Pintura: Vladimir Kush


Quando falo do encanto das árvores

na foz do vento,

das coisas inauditas que trazem

a calma,

onde só a agitação alastra,

sei que não me ouves.

  

Como pensar que poderias ouvir-me

quando o eco da minha voz desconhece

a penumbra e o delírio das vagas, neste mar,

berço e barco.

 

Há lugares tão nossos que não visitamos

há longo tempo,

são como praias desertas,

lugares de frio e silêncio

que a memória desordenou.


Praias onde a atenção dos teus olhos

e a atenção dos meus olhos

serão, em breve, 

suave esquecimento.


Lídia Borges