Pintura: Vladimir Kush
Quando falo do encanto das árvores
na foz do vento,
das coisas inauditas que trazem
a calma,
onde só a agitação alastra,
sei que não me ouves.
Como pensar que poderias ouvir-me
quando o eco da minha voz desconhece
a penumbra e o delírio das vagas, neste mar,
berço e barco.
Há lugares tão nossos que não visitamos
há longo tempo,
são como praias desertas,
lugares de frio e silêncio
que a memória desordenou.
Praias onde a atenção dos teus olhos
e a atenção dos meus olhos
serão, em breve,
suave esquecimento.
Lídia Borges
