Não quero que o meu último poema
seja triste como essas noites sem lua
ou como o céu melancólico
que abrigo dentro do peito.
Não quero que o meu último poema
seja feito desses ecos do nada
suspensos em palavras magoadas
que oscilam, aturdidas, no vento.
Meu último poema não poderá
atormentar o coração das rimas,
sufocar as palavras perplexas
no alvoroço da despedida.
Meu último poema
quero-o branco
como as asas de um anjo,
alegre como o canto das cigarras,
transparente como um rio
a desaguar no teu olhar...
Meu último poema... Um gracejo!
Uma rosa para te dar.
Lídia Borges