
Não tenho de escrever
Não preciso deste papel branco
Desta caneta inconformada
Careço tão só de me alongar
Defronte do meu espelho partido
Para que me veja autêntica e inteira
Na ilusão dos estilhaços
É bom que saibas que nenhuma lágrima
Conseguiu ainda
macular a suavidade do meu olhar
E nenhum lírio sucumbiu
À mingua da tua água
É bom que saibas que se escrevo
É porque o momento me é dócil
E não vacilo
Segura
Como um rio que segue certo do mar
Sem que ninguém um dia
Lhe houvesse traçado o destino.
Lídia Borges

