terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Espantava-me


Estavas a dormir de boca aberta.
Não estava.
Estavas.
Não estava.



Entreabriu os olhos.
O mar em frente, prata e mansidão,
estrada de maresia salgada.

Manta morna, o sol
através do vidro.

No chão, caído,
o livro
de onde verteu
todo o rumor lilás
de Alejandra Pizarnik,
grito funesto no centro
da ausência...

Estavas a dormir de boca aberta.
Não estava.
Estavas.

Espantava-me!



(imagem: Christine Ellger)