Christian Schloe
Era a palavra que o levava
e ele ia. Pelo pé do lápis, seguia
sorumbático,
esquecido da sua função de escrevente.
Diluia-se em
[des]sentires
e [des]viveres.
Valia-lhe ter sido
colecionador de rumores:
possuía gorjeios de pássaros
para acordar as manhãs,
rezas devotas de
louva-a-deus
em abundância,
estremecimentos de sininhos silvestres
colhidos na infância e
sorrisos de corolas, abertos
[preferia os das crianças
a que juntava um ou outro,
maior,
pelo tom sincero-claro.]
Era um poeta apaixonado
pela palavra outrora.
Outrorava-se frequentemente.
Tinha inclinações de sombra,
vocação de salgueiro da beira-rio.
Não raras vezes
batia à porta da própria
casa
para apaziguar solidões.
Mais das vezes
não se encontrava lá.
(reeditado)
