domingo, 14 de abril de 2019

Entreabrindo janelas...

   
      Estarei ausente daqui, nos próximos dias. É tempo de pequenices!
    Cá em casa, tudo se prepara para receber o João Matias, o membro mais novo da família (meu neto), nascido na Noruega, há quase seis meses. Amanhã, pela primeira vez, estará em solo português, assim o esperamos. A  ansiedade é grande, embora, todos os dias, troquemos cantigas, risos e algumas tagarelices, que me custa traduzir da difícil linguagem dos bebés. Mas há colos vazios por cá e... uma criança pequena precisa muito de os aprender.
  Ele gosta da girafa que morde para aliviar a pressão do primeiro dente nas gengivas; dos gatinhos da canção; do sapo que não lava o pé; da corujinha simpática no livro (impermeável) do banho.
   Os próximos dias serão inteiros para ele e para os pais que também precisam dos carinhos, das cores, dos  odores e sabores da casa, do céu do nosso Minho alegre e florido, neste tempo de Páscoa, de primavera e de Família.

Boa Páscoa!                                                    

 (no jardim, hoje, depois da chuva 
como se as rosas soubessem...)




                                                                                 ****
Ternurinhas de avó para o João:
(pinturas e poemas)                                                                                                                 

Girafa
  

A Girafa Ada
Não dorme deitada     
Nem sequer sentada.
- Dorme sempre em pé -
Zomba o chimpanzé!

Tem o pescoço erguido
Na noite estrelada
E quando é preciso,
Quando o sono aperta
O João empresta
Mais uma almofada.

A Girafa Ada
É muito engraçada
Tem manchas no corpo
 Mas é asseada.

E se dorme em pé
Assim lhe convém.
Tivesses um pescoço
Como ela tem
E dormirias em pé,
Tu também.

Lídia Borges


                                      *****

Maria

Coruja Maria
Na noite sombria
Pia, pia, pia…
O que é que ela tem?
Dores de dentes?
Mentes, que dentes
A coruja não tem.

O que ela tem é miopia
Que ataca de dia.
De noite vê bem
Mas, ver bem noite e dia
Era o que pretendia
a Coruja Maria.

O mundo dorme de noite
Há sempre pouco que ver
E ela põe-se a comer
Por não ter mais que fazer.

E pia, pia, pia a Coruja Maria
Com dores no piar que é de luar
e não de sol como ela queria.

Lídia Borges