terça-feira, 7 de maio de 2019

Em vez do vulgar ódio


Pour cerner d’un peu plus de trendresse ton nom

Paul Éluard

Nunca é súbita a morte do amor.
Ela necessita de ser curada ao sol
de mil estações, 
exilada nos estendais gelados
de tempestades múltiplas,

necessita da voz da solidão
repetida em ecos febris,
de perecer vezes sem conta 
antes da morte,

para que, da terra lavrada,
em vez do vulgar ódio, ressurja, 
com forma distinta, o amor,
folha que retorna à árvore,
naturalmente.