Foto: Jason deCaires Taylor
Coloca o fato de proteção
o capacete,
as barbatanas,
o tubo e o
bocal
para
continuares a respirar
quando
mergulhado no mar
alterado da
linguagem.
Verás à
entrada do poema,
um lirismo
extasiado na voz do vento
roçando
velas e mastros
em desvario.
Não te
esqueças:
deves chamar
ao barco, sonho,
crina, ao
vento,
ave, ao
coração
se o teu
nasceu para voar.
Recolhe tudo
o que te espanta
na gestação dos
dedos.
Rompe a
aridez das palavras
demasiado
concretas. Despe-as devagar,
deixa que se
signifiquem amplamente.
Dá-lhes a
beber umas gotas de loucura,
e de
ternura, uma mão bem cheia.
Toda a sede
é distância
na porta
entreaberta do poema.
Deixa que se escrevam por si, as palavras
na pele
branca de uma folha de papel,
ébrias de
tanta sobriedade.
Lídia Borges (2019), Garças, Poética Edições.
