9.
Comovem-me
os poetas
feitos de
inesperadas infâncias.
Femininas
vozes dispersas
em preces
incandescentes.
Comovem-me
os amanheceres
em suas
peles poentes.
Nos olhos
incorruptos
transportam
o sol
que lhes
quebra o frio das mãos
sempre
embriagadas.
Poetas
capazes
de acordar
os homens,
de ilibar os
animais da terra, do mar, do ar.
Inclinam-se
para eles as estrelas,
nas horas de
devoção maior.
Até as mais
remotas.
Quando se
apaixonam,
uma
inviolável fé, como se deuses
viessem
semear-lhes o coração.
Amam
docemente. Às vezes, violentamente.
E vivem numa
casa de vidro fosco
virada a
nascente a que chamam ausência.
Ainda assim
são de mel todas as letras
com que
escrevem Saudade.
Lídia Borges, (2019:p.19), Garças, Poética Edições
