sexta-feira, 26 de julho de 2019

Soneto de Shakespeare (reescrito por Carlos de Oliveira)



IV


Se nada há de novo e tudo o que há
já dantes era como agora é,
só ilusão a criação será:
criar o já criado para quê?
Que alguém me mostre, sobre um livro antigo
como quinhentas translações astrais,
a tua imagem, na inscrição, no abrigo
do espírito em seus signos iniciais.
Que eu saiba o que diria o velho mundo
deste milagre que é a tua forma;
se te viram melhor, se me confundo,
se as translações seguem a mesma norma.
    Mas disto estou seguro: antigos textos
    louvaram mais com bem menores pretextos.






Sonetos de Shakespeare, 
(reescritos em português por Carlos de Oliveira), 
in Carlos Oliveira, Trabalho Poético, (p.134), Assírio & Alvim.