I
Vagamente
tristonho
passa entre os sonhos
como se entre
nuvens, sem se deter
nem mesmo
quando subitamente
um cardume
de peixes surdos-mudos
lhe
envolve o cérebro,
dormente.
Penso
se devo roubar-lhe o silêncio.
Soberbo!
Se devo abri-lo,
como a uma
chama nua,
a bisturi.
Mas, se
é criação o sonho,
que sono
devo dormir para o alcançar?
De que
sono acordar para a geometria dos rios
e das pulsões
afluentes... de que sonho...?
De que sono
progredir para a materialidade
das
palavras extintas?
como
fazer brotar a fala
de um solo
mineral e denso
que a
luz não atravessa?
Toco a impossibilidade do poema
enquanto os diospiros sobre a mesa
me negam um verso para esculpir o outono.
(imagem: Alireza Darvish)
