domingo, 20 de outubro de 2019

"Tempo e Poesia"



O que nem Filosofia nem Ciência nos concedem, um só verso, um daqueles que Mallarmé dizia "interminavelmente belo" no-lo oferece, porque nele regressamos e nele somos o Tempo que em tudo o mais esquecemos mas que jamais nos esquece. Este é o mistério da Poesia: o Tempo - nós como Tempo - tornado sensível, audível, dizível e através dessa aparição nos oferecendo a desesperada e alta eternidade, a familiar "luz perpétua" que nós próprios fabricamos ardendo e vendo-nos arder como árvores vivas no fogo temporal.




Eduardo Lourenço, (2003, 1.ª edição), Tempo e Poesia, Gradiva.