Sem vaidade
que se veja
silvestres da folha à seiva
de lindeza sem igual
brotaram as
capuchinhas
como se
fossem minhas,
ao fundo do
quintal.
Chamam-lhes
chagas,
pragas invasoras…
Por mim
não lhes noto ares que tal.
Sem ruído o
colorido
acolhe e enaltece,
creio até ser em seu seio
que o sol amadurece.
Não se
ralem os prosaicos,
lentes foscas no olhar,
sete dias por semana
sete noites sem parar
a culpar a Poesia
de só Ser sem enformar,
o que interessa a capuchinha?
inútil, sem eira nem beira.
Mal empregues são os versos
a uma vulgar trepadeira.
Acontece-me não
saber
separar a Poesia
das coisas do dia a dia
onde por vezes se aninha
mesmo à frente do meu ver
mesmo à frente do meu ver
um bouquet de capuchinha.
Mais informo, [sem desdém],
julgo ser o
meu dever,
que desta flor do campo
tudo se pode comer.
Semente, folha, flor
e a beleza que tem,
tal como a Poesia
que é
comestível, também.
E lá vai na enxurrada
o velho argumento do
"não serve para nada".
Lídia Borges
