Este
vento mal-humorado, que veio encher de brumas o céu, faz-nos (nos?!... os que reparam no vento
e no céu e na bruma), pensar que não tardarão os dias longos e frios do
inverno. Vem o vento, como quem não quer nada, um arzinho meio inocente a agitar a
magnólia, a lembrar que é preciso ligar ao Sr. António para que traga a lenha
que alimentará a lareira quando as temperaturas baixarem. Ah, é preciso não esquecer as pinhas. Não há acendalhas que as batam… (são cada vez menos - dizem-me). Não é difícil de acreditar… E
por falar em lareira, é preciso mandar limpar a chaminé e descobrir quem possa reparar
a porta da arrecadação que deu em se fazer rogada quando é preciso abri-la... Mudar
as cortinas do lado da cozinha, para que a luz não encontre impedimento quando
o sol se deixar debilitar.
Já
agora convinha pôr na lavandaria, como é costume, os edredões para uma
refrescadela, dar uma volta às camisolas de lã, à roupa e ao calçado de inverno, separar o que tem de ser substituído, inventariar possíveis falhas. O mobiliário de jardim tem de ser limpo e resguardado, antes
da chuva, mas… é talvez cedo de mais!
Pensar
que este seria um dia tranquilo, sem muito para fazer, a leitura, a escrita, talvez, algum
tempo para pintar, para entreter o mal-estar causado pelo "raio" do antibiótico para a garganta.
Mas veio o vento sul. E só a sua presença dá-nos a ver (nos?!...os que lidam mal com esse sentimento a que chamam Saudade que não é mais nem menos aquilo que fica da frustração de não podermos ter junto de nós aqueles que amamos), dá-nos a ver, conforme ia dizendo, tudo o que este verão atípico, descaradamente, nos roubou. Um tudo que é realmente tanto-tudo!...
Bem… o contacto do senhor António... ah, aqui está - 963….
Lídia Borges
