Se existisses, serias tu,
talvez um pouco menos exacta,
mas a mesma existência, o mesmo
nome, a mesma morada.
Atrás de ti haveria as
mesmas duas palmeiras, e eu estaria
sentado a teu lado como numa
fotografia
Entretanto dobrar-se-ia o mundo
(o teu mundo: o teu destino, a
tua idade)
entre ser e possibilidade,
e eu permaneceria acordado
e em prosa, habitando-te como
uma casa
ou uma memória.
Manuel António Pina (2012:p.46), Poesia,
Saudade da Prosa /uma antologia pessoal.
