sábado, 8 de agosto de 2020

(Da) Incerteza



Há de chegar

aonde o olhar se perde,

nos longes íngremes da Incerteza,

 

a espera

 

é tudo o que esperamos de nossos braços

[exaustos]

na curva embrumada dos tempos.

É tudo o que esperamos,

 

a espera.

 

Água que em recantados sobressaltos

nos corre por dentro

de veia em veia, de pedra em pedra,

de susto em susto,

de palavra em palavra

até à completa ausência do som.

 

Há de chegar.

E no corpo que der à Incerteza

os ecos proeminentes da dor de nada sabermos...

de nada.


Lídia Borges


(Imagem: pesquisa Google, Luís Miguel)