(imagem: pesquisa Google s/ ind. autoria)
Viver ao vivo
não é modo de vida para
poetas.
A realidade é o que é – ouço
dizer.
Por isso mesmo,
por ser o que é, impunemente,
é que a realidade é perigosa.
O que não seria de esperar
é que, além de perigosa
por ser o que
é,
a realidade fosse igualmente
perigosa
para o que não é.
Se nos deixamos desatentar,
oferecendo-lhe sentidos, créditos
e bênçãos,
quando damos conta
já ela feriu gravemente o nosso
que não é.
O que é o que não é –
perguntam alguns
do meio da sua sólida objetividade.
É o vivido que floresce
pelo lado de dentro das paisagens,
dos espelhos, das imagens, dos reflexos
e das palavras que nos
radiografam.
É o único modo de vida possível
quando não nos basta um ínfimo
concreto
do vasto abstrato
que nos habita.
Lídia Borges
