Aconteceu no passado sábado, dia 26, em Braga, mais propriamente no Colégio
D. Diogo de Sousa, a Sessão de Lançamento do novo livro de Poesia de Maria
Isabel Fidalgo – Não esqueças o meu nome, (Poética Edições, 2022).
Num ambiente emotivo, de encontros e
reencontros, de abraços calorosos e sorrisos ao cimo das máscaras, a tarde
revelou-se pequena para toda a Poesia que foi presença: dança, música, palavra,
poema.
A apresentação da obra, a cargo da professora e investigadora da UM (Universidade do Minho), Isabel Cristina Mateus, foi um convite à viagem através da obra desta autora, [amiga minha de todos os momentos, por vezes, muitas vezes, irmã] que tem mantido, de livro para livro, uma coerência temática notável, traduzida numa poética que é regresso e memória, identidade e sonho. A sua expressão desenvolve-se num movimento de continuidade como se estivesse sempre a acrescentar vida ao mesmo livro que escreve, adicionando-lhe capítulos novos, à medida que o tempo real se adensa. Não posso deixar de evocar, neste ponto, um dos “meus” poetas contemporâneos favoritos - Manuel António Pina - que assim definia a sua relação com a escrita e com o seu modo de ser Poeta, (um "fazer" em contínuo, sem princípio nem fim.) A passagem do tempo, a efemeridade da vida e aquilo que a torna preciosa e significativa e lhe dá o maior e o mais verdadeiro sentido – O Amor: a família e o modo de permanecer no que ficará de si nas gerações a vir, no que carregou/a em si das gerações passadas, uma Poesia atravessada por pessoas que amou, ama, (sobretudo as vozes femininas: a mãe, a ama, a filha, as netas) por lugares que viu, pelos poetas que leu.
Esta particularidade da obra poética da
Maria Isabel Fidalgo, torna-se permeável ao leitor atento, logo a partir dos
títulos dos seus livros anteriores - Antes de mim um verso, À roda da
saia, Sou viagem, e Não esqueças o meu nome, conforme observou Isabel
Cristina Mateus, na análise crítica que deu a conhecer.
A propósito, cito:
[…] (À roda da
saia” é o título publicado em 2018). A roda da saia da mãe, bordada de imagens,
que há-de ser da filha, das netas e transmitida às gerações a vir; um relógio
de tecido de que nenhuma mulher é verdadeiramente dona, mas apenas guardiã até
à geração seguinte. Como certos relógios de luxo. Mas esse eterno recomeço
significa também um regresso ao princípio, à re-criação do mundo, à espantosa
realidade das coisas. [...]
Parabéns, Maria Isabel Fidalgo. Continua a acrescentar mais e mais
capítulos ao teu encantador livro único. Os teus leitores aguardam [-te].


