quarta-feira, 30 de março de 2022

Podemos agora enfim calar-nos


Reparo no leve vai e vem

das folhas renascidas,

no pálido carmim translúcido 

que se origina no excesso de cor.

Recortados num fundo leitoso

 os limoeiros proclamam

novíssimos êxtases de abril.

 

O silêncio amainou

dentro das palavras.

Solidão, culpa, mágoa

partiram para destino inarticulável. 

Podemos agora enfim calar-nos.

Iniciar a conjugação do vento 

e dos passos ao encontro da voz.


(imagem: pinterest s/ ind. autoria)