Ao Matias e ao Tomás, meus netos.
São miúdos engraçados
que conheço muito bem
se um tem dois rebuçados
o outro quer dois também.
Se um come bem a sopa
o outro não tem escolha
e a dizer que não topa
come sempre a sopa toda.
Se um vê televisão
o outro foge de ver:
- Por favor, baixa o som.
Já não se consegue ler.
Se um viaja na lua
e sonha ser astronauta
o outro prefere a rua
quando não toca flauta.
É grande a agitação
que há na rua ou na lua
no jardim ou no salão
se ambos se encontram
sem tarefa ou função.
Sei que parecem diferentes
mas na verdade não são.
Quando o sono vem apressado
Acaba-se a confusão
É vê-los muito abraçados
- Boa noite, irmão meu -
- Boa noite, meu irmão -
a dormirem lado a lado
sem qualquer contradição.
Lídia Borges
(imagem: Fredrikstad, maio 2022)
