quinta-feira, 2 de junho de 2022

Um museu que arde - Tiago Aires


 Antínoo no Louvre - Tiago Aires


É no teu corpo lento que se esperam as eras

se deseja o movimento

o crescer da verticalidade do horizonte

 

O branco é apenas a ausência do medo

e eu vejo-te enfrentando o mundo.

 

Não há dúvida quando o amor é acerto

cindindo as margens do caos

 

Tiago Aires

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Senti-me empurrada numa visita ao cerne de "lembranças" em ruínas. Há livros assim. Levam-nos.

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(do texto de fundamentação do júri na apresentação das obras distinguidas no âmbito do Prémio Literário UCCLA 2020)

"A vida como museu é uma linha de leitura fácil se se quiser apostar neste conjunto de poemas. Mas o livro é mais profundo nos seus propósitos. O museu, se pode ser a figura do velho mundo que abandonamos à sua sorte – Europa, infância, sonho, isso nos abandona ou nós abandonamos – é mais o modo como a poesia se faz, em si mesma, repositório das recordações e linguagem que reativa as imagens antigas num presente feito discurso. (...). Um livro que, para este nosso tempo, é uma espécie de renovação da meditação sobre ruínas."