Antínoo no Louvre - Tiago Aires
É no teu corpo lento que se esperam as eras
se deseja o movimento
o crescer da verticalidade do horizonte
O branco é apenas a ausência do medo
e eu vejo-te enfrentando o mundo.
Não há dúvida quando o amor é acerto
cindindo as margens do caos
Tiago Aires
***
Senti-me empurrada numa visita ao cerne de "lembranças" em ruínas. Há livros assim. Levam-nos.
(do texto de fundamentação do júri na apresentação das obras distinguidas no âmbito do Prémio Literário UCCLA 2020)
"A vida como museu é
uma linha de leitura fácil se se quiser apostar neste conjunto de poemas. Mas o
livro é mais profundo nos seus propósitos. O museu, se pode ser a figura do
velho mundo que abandonamos à sua sorte – Europa, infância, sonho, isso nos
abandona ou nós abandonamos – é mais o modo como a poesia se faz, em si mesma,
repositório das recordações e linguagem que reativa as imagens antigas num
presente feito discurso. (...). Um livro que, para este nosso tempo, é uma
espécie de renovação da meditação sobre ruínas."
