quinta-feira, 16 de junho de 2022

Margaridas

 

Quando te esperava e não vinhas

abria a porta em descrença

à procura de sinais de ti

não me tivessem sido  traiçoeiros

os sentidos

no momento em que bateras.

 

Não. Iludia-me.

Tinha estado sempre em mim.

Tu é que não vieras

trazer-me aquela margarida

colhida sem pé 

na berma do caminho.

Tu é que não vieras.

 

Quando agora me batem à porta.

Não oiço, não vejo, não sinto.

E que não procurem sinais de mim

onde de mim não há sinais.

Plantei um canteiro de margaridas só meu.

Rego-as. Trato delas. Amo-as.

E quando alguma morre sei que morre

porque terá chegado o seu tempo de morrer .

 

E assim é que tudo está bem.


Lídia Borges