Quando te esperava e não vinhas
abria
a porta em descrença
à
procura de sinais de ti
não me tivessem sido traiçoeiros
os sentidos
no momento
em que bateras.
Não.
Iludia-me.
Tinha estado sempre em mim.
Tu é que não vieras
trazer-me
aquela margarida
colhida sem pé
na berma do caminho.
Tu é
que não vieras.
Quando
agora me batem à porta.
Não oiço,
não vejo, não sinto.
E que
não procurem sinais de mim
onde de
mim não há sinais.
Plantei um canteiro de margaridas só meu.
Rego-as.
Trato delas. Amo-as.
E quando alguma morre sei que morre
porque terá chegado o seu tempo de morrer .
E assim é que tudo está bem.
Lídia Borges
