quarta-feira, 15 de junho de 2022

Paula Rego - ainda e sempre

 

Felizmente, há sempre quem não caiba na tacanhez de certas mentes pequeninas, minadas pelo preconceito, pelo desconhecimento ou mesmo pela inadaptação ao Sensível, ao Humano, à Arte. Isto, dito assim, pode parecer demasiado superficial, matéria pouca, dirão alguns, para o reconhecimento de um problema. Porém, quando essas mentes (quase sempre muito empreendedoras) ocupam lugares de Decisão, no contexto nacional, o caso pode não ser tão banal como parece.

Paula Rego morreu sem que o país tivesse tido a oportunidade de redimir-se da ofensa que lhe foi feita aquando do governo Passos Coelho, (com Francisco José Viegas como Secretário de Estado da Cultura). A Fundação que levava o seu nome é extinta e, nem as medalhas de mérito cultural que posteriormente lhe forma atribuídas, limparam bem a sujeira anterior.  Eternizada fica a desfeita.  Entre a espada e a esponja, naturalmente.

 

 


É um feio bravíssimo, violento

uma gritaria um soco um furacão,

a febre a sustentar o medo

e a trazê-lo sem medo 

ao seio da emoção.


São histórias de crianças

e das vidas que lhes dão.



Lídia Borges





Paula Rego - O Anjo (pastel sobre papel montado em alumínio - 1998)