Felizmente, há sempre quem não caiba na tacanhez de certas mentes pequeninas, minadas pelo preconceito, pelo desconhecimento ou mesmo pela inadaptação ao Sensível,
ao Humano, à Arte. Isto, dito assim, pode parecer demasiado superficial, matéria pouca,
dirão alguns, para o reconhecimento de um problema. Porém, quando essas mentes (quase
sempre muito empreendedoras) ocupam lugares de Decisão, no contexto nacional, o caso pode não
ser tão banal como parece.
Paula Rego morreu sem que o país tivesse tido a oportunidade de redimir-se da ofensa que lhe foi feita aquando do governo Passos Coelho, (com Francisco José Viegas como Secretário de Estado da Cultura). A Fundação que levava o seu nome é extinta e, nem as medalhas de mérito cultural que posteriormente lhe forma atribuídas, limparam bem a sujeira anterior. Eternizada fica a desfeita. Entre a espada e a esponja, naturalmente.
É um feio bravíssimo, violento
uma gritaria um soco um furacão,
a febre a sustentar o medo
e a trazê-lo sem medo
ao seio da emoção.
São histórias de crianças
e das vidas que lhes dão.
Lídia Borges
Paula Rego - O Anjo (pastel sobre papel montado em alumínio - 1998)
