terça-feira, 19 de julho de 2022

Eu oiço

 

 Vejo como a noite desce do teto.

Sua gravidade comeu-me a língua,

desampliou-me,

abreviou minhas intenções

de orvalho.

 

Verifico as incompetências

para o lavradio das horas.  

Meu horizonte é um alfabeto 

de andorinhas por vir.

 

Ocupa-me o inseto azoado 

que veio morar em meu ouvido.

Zune, insubmisso. 

Tesouras esporeadas no vento

estão a devorar-lhe as asas. Eu oiço.


Em breve calar-se-á.

 

Lídia Borges, (reescrito)

(pesquisa, s/ ind. autoria)