segunda-feira, 4 de julho de 2022

Tempo

 

I

O clima está mudado

não há quem o não sinta.

Basta sondar o desenho dos versos novos,

 

a pertinácia dos poetas a desencantar

com os ferros do parto

o choro primeiro da palavra.

 

Com o tempo que faz

falta alimento para as libelinhas

e as rãs coaxam tristuras de água verde. 

 

Transportar para dentro das casas

uma sonância que lembre passarinhos

É árduo fazer de filigrana

 

II

Os rios e os salgueiros das margens

mortificam-se em secas e enxurradas.

Até os barcos…

 

Tanta alternância

de extremos alterados

mexe com as agitações dos poetas.

 

Muitos, já raramente se esquecem

de faltar aos desencontros

onde se imitam olimpos.


Lídia Borges