I
O clima está mudadonão há quem o
não sinta.
Basta sondar o desenho dos versos novos,
a pertinácia
dos poetas a desencantar
com os ferros
do parto
o choro primeiro
da palavra.
Com o tempo que
faz
falta alimento
para as libelinhas
e as rãs coaxam
tristuras de água verde.
Transportar para
dentro das casas
uma sonância
que lembre passarinhos
É árduo fazer
de filigrana
II
Os rios e os
salgueiros das margens
mortificam-se
em secas e enxurradas.
Até os barcos…
Tanta
alternância
de extremos
alterados
mexe com as agitações dos poetas.
Muitos, já raramente se esquecem
de faltar aos
desencontros
onde se imitam
olimpos.
Lídia Borges
