segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Pois são!

 


Vem-me à ideia uma imagem muito nítida: seguro nas mãos o envelope que contém o alvará de apresentação na escola onde trabalharei no próximo ano letivo. Que azar! Não é nenhuma das da minha preferência, não sei sequer onde fica o lugar mencionado no papel. Quando uma amiga já me dava, pelo telefone, informações preciosas acerca da terra, das pessoas e da escola onde, num futuro próximo, teria de exercer a minha função docente, acordei em sobressalto. Tinha à flor da pele aquele pruído ansioso de que é feita a vida (nómada) dos professores, neste país.   Por momento, tentei ainda visualizar o nome da escola que me fora atribuída, no meu sonho deslocado no tempo e, como tal, despropositado. Não alcancei tal pretensão, mas lembro-me que havia um som muito agradável de água a correr, na primeira sílaba, e, nas outras, mil risos de crianças.

Abri as janelas. O ar fresco, as árvores silenciosas e cansadas fazem-me pensar no outono.

Ontem o vizinho do lado veio trazer-me uma cestinha de pimentos flor. Perguntou-me pelos netos. Gostámos muito de os ver encher de alegria o pátio, este verão – disse – ficámos, muitas tardes, sentados na varanda, (falava dele e da mulher), felizes, só de os ouvir tagarelar. As crianças são dádivas divinas.

Pois são!

 

Lídia Borges