(Imagem: Michel Lukasiewiks)
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II
O real acabará por vir, indelével,
embrenhar-se nos interstícios dos versos,
no canto dos pardais, nas copas das tílias,
virá banhar-se nas águas das fontes que sei
e bebê-las sofregamente até ao fim,
até que o branco regresse
ao ventre da página escrita.
E depois, de novo, impassível
a busca da cor dos meus olhos,
na órbita dos teus nunca vista.
E a dor... a dor com que finges cobrir o corpo
como se fora irrepreensível veste tua.
Lídia Borges
