domingo, 7 de agosto de 2022

Um silêncio de vidro

I


O mundo dorme ainda

a esta hora matinal.

É o silêncio sob a neblina 

quem primeiro vem falar-me.

Um silêncio de vidro

que os pardais quebram, aqui e ali

em busca de versos

eu sinto o canto deles como um erro.

 

É uma manhã de novembro, cabisbaixa,

esta que agosto nos oferece, 

sob um véu de sombra

e um réquiem em fundo. 

Outro erro por certo que escapou

à vigilância dos deuses.

 

II

Esplêndido, o hibisco

expõe sua cor viva de sangue

a sustentar o verão. 


E Todavia 

há poetas que me morrem.


Lídia Borges

 

(Itálicos - Ana Luísa Amaral)