O mundo dorme ainda
a esta hora matinal.
É o silêncio sob a neblina
quem primeiro vem falar-me.
Um silêncio de vidro
que os pardais quebram, aqui e ali
em busca de versos
e eu sinto o canto deles como um erro.
É uma manhã de novembro, cabisbaixa,
esta que agosto nos oferece,
sob um véu de sombra
e um réquiem em fundo.
Outro erro por certo que escapou
à vigilância dos deuses.
II
Esplêndido, o hibisco
expõe sua cor viva de sangue
a sustentar o verão.
E Todavia
há poetas que me morrem.
Lídia Borges
(Itálicos - Ana Luísa Amaral)
