É uma manhã de domingo lenta.
Não fosse o casal de melros,
seu chilrear repetitivo
a desferir tesouradas no ar
e o palco seria todo para o silêncio.
Talvez este se pusesse à conversa
com a dolência das hortênsias.
Talvez eu pudesse descobrir
o motivo pelo qual tudo o que é belo
transporta em si um não-sei-quê
de terrivelmente trágico.
Lídia Borges
