
(Foto: Ozias Filho)
Alguma coisa tem de haver para explicar a dor de se ficar
calado, na condição de mortos-vivos, enquanto à nossa volta um mundo por ordenar
declara urgência de palavras, aquelas que, constituídas da matéria do próprio
silêncio, servem para declarar guerra à erva daninha da indiferença.
[…]
Anda por aí muito silêncio a transformar palavras em medo. Andam muitas bocas com coisas por dizer e, no entanto, amordaçadas pela indiferença, que por esta altura já cresceu tanto que se tornou difícil de romper.
(Ana Paula Tavares (2.ª edição, 2022: p. 53), O sangue da Buganvília)
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E. quando o mundo parece não querer ser salvo e despreza as palavras da salvação? (Que palavras? Que salvação?) O que faremos com as palavras nascidas no nosso próprio silêncio? -pergunto eu que nada sei.
Ah, sim! Se a alma não é pequena...
Lídia Borges