Choveu de noite.
O quintal, o jardim,
resplandecentes, pela manhã
um ar fresco,
límpido como uma verdade
pousa nas árvores nas ervas
no coração
nas roseiras outra vez em botão.
Ouve-se um galo ao longe,
mas os pardais
hoje mais sorumbáticos
e as peras de setembro,
vão caindo, maduras e enfezadas,
biologicamente.
É preciso colhê-las ainda assim
não vá a árvore-mãe,
na incerteza dos dias
julgar que lhe menosprezamos os frutos.
Lídia Borges
