À janela violetas
P'ra deleitar o luar
Como ela eram secretas
Flores lindas de ninar
Por cem noites ele veio
Imprudente farejá-las
Nos pés uns rudes tamancos
P'ra melhor espezinhá-las.
Quando enfim uma noite,
O postigo encerrado
E ao vento lenços brancos
Ele largou seus tamancos
De pisar mui macerado
Foi descalço, peregrino
Por cem noites mendigar
O viço das violetas
Uns pingos do seu luar
Assim falou quem o viu
Na sombra a deambular
Em frente àquela janela
A que bem quis regressar
Mas do caminho andado
Nem um passo a emendar
E as violetas mortas
À vida não vão tornar
Lídia Borges
(imagem: Pinterest)
