Fico de fora, sim.
Não. Não gostaria de entrar, obrigada.
Fico bem aqui.
Vê-se melhor para dentro
do lado de fora, como sabe,
que não enfarinhados os olhos
nas vãs seduções de momento.
Bem, a ventã é espaçosa,
as lâmpadas, luas led vintage
de artificialidades garantidas.
Veja, repare como ingerem
copos fumos vícios sapos e rãs
Diga-me, alguma vez os viu assim
lá de dentro?
Repare como riem alegremente
uns com os outros, pela frente
uns dos outros, pelas costas.
Veja-os por dentro, daqui, do lado de fora.
Lestos na arte da palmadinha
depois da facada nas costas.
Há um não-sei-quê a uni-los,
não lhe parece?
A torná-los terrivelmente equivalentes.
Há um não-sei-quê, isso há.
Fosse Poesia e eu saberia.
Fica então, senhor, convictamente,
do lado de fora?
Sim, como poderá compreender,
não derretem à mesma temperatura
todo os poemas, todos os Seres.
Lídia Borges
