Mostra-se por cima do muro,
provoca-me com sua altivez, com suas cores perfeitas.
Pode o instante nada ter a ver com poesia,
tão
real e nítida se faz a imagem.
Prego
nela os olhos e a atenção
atraída pela posição errática que adota,
quanto à sua qualidade
de heliotropismo.
Está voltado para mim. Como?
Não sendo
eu o Sol
nem dele um simples reflexo.
Ó,
bela Flor do Sol,
de que deslumbramentos adoeceste?
De que clausura te fazes escrava?
Lídia Borges
