Chega-se da infância da linguagem,
com os olhos dilatados pelo sonho
carregados ainda de astros e brilhos
e abruptamente dá-se de caras
com uma gramática asséptica e fria
a atropelar flores, a perfurar os
ouvidos
com os ditames de passos
que não haveremos de dar.
O embate no
solo, inevitável.
Não sei agora como lidar
com estas poliédricas formas,
de aguçadas arestas, faces
amolgadas
vértices tangidos de desencontros.
Tomara saber como, o sono das árvores
como repetir as vozes que folhas e
pássaros
me escrevem, por dentro.
Leio-as, contudo, e posso ser sereno
em cada verso que não escrevo.
Lídia Borges
