sexta-feira, 14 de março de 2025

E assim te forço a viver


  

Sem esse conturbado ruído de fundo,

sem a sombra desse grito no semblante,

um modo outro de animar-te

na massa moldável entre  mãos:

um sorrido inesperado que se esboça,

um olhar que de súbito se acende,

um braço que se ergue para te saudar,


 

E assim te forço a viver

nessa linha impossível

entre matéria animada,

e matéria inventada.

Um pé todo chão, o outro, evaporação.

 

Realidade ou ilusão? Que importa?

Beber um copo de filosofia barata,

grafar um verso sem contornos de tristeza,

ver como te inclinas  ainda

para colher essa flor silvestre...

 

Lídia Borges